CARTA ABERTA
1º SEMINÁRIO REGIONAL DAS ESCOLAS DE FÉ,
POLÍTICA E CIDADANIA DA REGIÃO NORTE
“Quem quiser ser o primeiro, no meio de vós,
seja aquele que vos serve” (Marcos 10, 43)
Nós, participantes do 1º Seminário Regional das Escolas de Fé, Política e Cidadania da Região Norte, reunidos em Santarém entre os dias 12 a 14 de junho, em oração, escuta, reflexão e compromisso, dirigimo-nos às comunidades, pastorais, movimentos sociais, Igrejas, juventudes e povos da Amazônia para afirmar: este é um tempo de travessia, discernimento e coragem profética.
A Amazônia que habitamos é território sagrado, casa comum, chão de povos, culturas, memórias, águas, florestas e esperanças. Mas é também uma Amazônia ferida por projetos de morte, pela violência contra os territórios, pela destruição ambiental, pela desigualdade, pelo abandono das periferias e pela tentativa de transformar a vida em mercadoria. Diante disso, nossa fé não pode ser omissa, silenciosa ou indiferente. Crer no Deus da vida é comprometer-se com os pobres, com a justiça, com a democracia e com o cuidado da Casa Comum.
Inspirados no Documento de Santarém (1972 e 2022), a partir dos eixos Encarnação na Realidade e Evangelização Libertadora, reafirmamos que fé e Política não são caminhos separados. A fé ilumina a consciência, e a Política, quando vivida como serviço, torna-se expressão concreta do amor ao próximo. Por isso, as Escolas de Fé, Política e Cidadania são, para a Amazônia, sementes de formação, organização e esperança. Elas ajudam o povo e as nossas Igrejas a ler os sinais dos tempos, compreender a realidade, enfrentar as injustiças e participar da construção do bem comum.
Sentimos, também, que é preciso avançar. É necessário fortalecer uma articulação permanente, enraizada e missionária das Escolas de Fé, Política e Cidadania na Amazônia. Uma articulação que nasça dos territórios, escute as comunidades, com protagonismo das juventudes e das mulheres, reconheça os saberes dos povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, camponeses e trabalhadores urbanos, e forme lideranças comprometidas com a vida.
Assumimos, a partir deste encontro, o compromisso de fortalecer os núcleos existentes, animar novas experiências formativas, criar redes de partilha, produzir materiais populares, realizar análises de conjuntura, ampliar a comunicação e construir processos permanentes de formação. Queremos escolas que sejam espaços de oração e pensamento crítico, mística e ação, escuta e decisão, espiritualidade e compromisso social, promovendo lideranças para atuar na sociedade, especialmente nas Pastorais Sociais; Conselhos de Direitos; Sindicatos e Associações; Movimentos Populares; Partidos Políticos; e outros espaços em prol do Bem Comum.
Diante das eleições e dos desafios políticos do nosso tempo, afirmamos a urgência de defender a democracia, combater a mentira, rejeitar o ódio, enfrentar a compra de votos e denunciar toda manipulação da fé em favor de projetos de poder. A fé cristã não pode ser usada para dominar consciências, mas deve libertá-las para o serviço, a justiça e a fraternidade.
Aos que ameaçam os territórios, respondemos com organização. Aos que tratam a Amazônia como mercadoria, respondemos com cuidado e resistência. Aos que espalham medo e desinformação, respondemos com formação e esperança. Aos que tentam calar o povo, respondemos com participação, profecia e caminhada comunitária.
Seguiremos em missão. Como comunidades de fé, como povo amazônico e com o sujeitos políticos, reafirmamos nosso compromisso com a vida, a democracia, a justiça socioambiental e o bem comum.
Que as Escolas de Fé, Política e Cidadania sejam, na Amazônia, casas de escuta, oficinas de esperança, sementes de democracia e fogueiras acesas nos territórios.
Amazônia viva, democracia fortalecida, fé comprometida e povo organizado: eis o caminho que assumimos.
